A deputada estadual Luiza Maia (PT), pediu ao prefeito ACM Neto (DEM) e ao governador Rui Costa (PT) que fiscalizassem o cumprimento da Lei Antibaixaria durante o Carnaval 2018 em Salvador. A lei, de autoria da própria parlamentar, sancionada em 2012, proíbe a contratação de bandas que toquem músicas e façam coreografias, que incitem a violência e a desmoralização da mulher.

Ela falou que achou estranha a contratação, pelo Governo do estado, da banda La Fúria para tocar no Carnaval. “Eu realmente acho uma coisa muito esquisita. Mas o que eu soube, quando fiz os meus questionamentos, foi que a banda La Fúria assinou contrato dizendo que não cantaria nenhuma baixaria contra a mulher. E eles já fizeram isso. Eles tem dois repertórios, quando é dinheiro público, eles cantam músicas decentes. Quando é iniciativa privada, eles fazem aquela esculhambação contra as mulheres, que é uma coisa também que a gente precisa questionar”.

A parlamentar lembrou que a Bahia já foi o berço da cultura, principalmente da música, como João Gilberto, Gilberto Gil, Caetano Veloso, entre outros.

“O que está nos envergonhando hoje é que esses artistas sentam para escrever músicas só focando na bunda da mulher, porque bota o bumbum pra lá, bota a bunda pra cá, bota no rabetão. Eu acho que por trás disso tem os machistas que querem reproduzir, reforçar o machismo e a desmoralização da mulher como objeto de prazer. Então, a gente precisa fazer esse debate”, disse.

Ela rebateu que a Lei Antibaixaria não tem o objetivo de censurar os artistas. “Não é censura! Estamos pedindo apenas que o dinheiro público não financie música ou qualquer outra expressão cultural que ajude a reproduzir o machismo, a desmoralização da mulher e a violência contra a mulher.

Ao final, Luiza Maia disse para as pessoas olhassem para outras coisas bonitas da mulher. “Vamos curtir o carnaval não olhando só para as bundas das mulheres, vamos olhar para outras coisas bonitas que a gente tem. Tem tanto tema importante que a gente precisa tratar nesse nosso país de retrocesso, de perdas de direitos. Nossa campanha nesse ano é Carnaval antibaixaria sem retrocesso”, finalizou.

Editado por Tribuna do Recôncavo | Reportagem e redação: Bahia Noticias

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