O Brasil “de um povo heroico” escolhemos através do voto pessoas que acreditamos que fazem parte desse povo heroico citado no Hino Nacional. Fica uma grande decepção quando percebemos que membros do crime organizado têm grande relação com o poder estatal, sendo fundamental acomodar que sem esta relação às organizações criminosas não apresentariam as amplitudes de crescimento que se tem tomado. Contando com os respectivos membros do poder público, utilizando-se de seus mais variados poderes para a desafronta social. A união entre os políticos corruptos e os empresários que buscam um crescimento econômico de suas empresas em tempo recorde é repugnante para nós funcionários públicos.

A cada dia nossos direitos estão sendo negados, o Brasil é considerado por muitos como o país do futebol, mas o espetáculo que estamos assistindo é vergonhoso para nós brasileiros. São tantos os escândalos que parecem até que a corrupção foi uma disciplina estudada na faculdade e que eles são pós-graduados no assunto.

É certo que a corrupção é mais antiga que o capitalismo, nesse sentido, a maneira atual da corrupção precisa ser compreendida no contexto caracterizado como injustiça social e econômica. Cabe ainda ressaltar que a operação lava jato apresenta o campo de atuação dos políticos de uma forma mais ampla se comparada a outras investigações como foi o mensalão. Será que os políticos estão se aperfeiçoando em corrupção? Mas o que pode ter acontecido com a escolha coletiva? A corrupção tornou-se para muitos políticos e empresários uma fonte de renda sem fim, com uma extensa cadeia de setores envolvidos, que age de maneira segura, sem ética, e com poder total sobre os cofres público.

Onde os desejos não são conquistados, mas comprados, enquanto a população sofre com uma péssima segurança, muita gente morrendo nos corredores dos hospitais por falta de atendimento, outros morrem de fome e sede, educação de qualidade acontece apenas nas teorias. Enquanto eles negociam as propinas a serem pagas, nós trabalhamos cada vez mais para pagar impostos.

Os livros de história que relatam sobre a formação econômica do Brasil, as políticas econômicas dos governos também vai constar lá os esquemas de corrupção que contribuíram para a formação cultural e econômica de um grupo de políticos que manchou nossa história política.

Lene Muniz é Pedagoga, Contabilista e membro da Academia de Letras de Salvador. Vem sendo destaque na literatura e já conquistou muitos prêmios, entre eles em 2016 pela Associação Internacional de Escritores e Artistas com a medalha Fernando Pessoa. Sempre apaixonada por literatura e política. Mora em Presidente Tancredo Neves no interior baiano. Funcionária pública, que luta com garra e ética pelos seus ideais, lamenta a situação que nosso pais está passando. (Enviada pela autora ao Tribuna do Recôncavo)