Durante esta semana que antecedeu à cerimônia de canonização de Madre Teresa de Calcutá, uma coisa me chamou à atenção.

Os meios de comunicação, de modo especial a televisão, deram ênfase ao assunto. Mas não sei se por maldade ou ignorância mesmo, várias vezes foi anunciado: “igreja faz Madre Teresa virar santa”; “ouça o depoimento do homem que vai fazer Madre Teresa virar santa”; houve uma emissora que ainda citou: “a Igreja Católica transformará santa a Madre Teresa de Calcutá”, e tantas chamadas se fez ouvir desta maneira.

Quando me refiro à maldade de certos meios de comunicação em tratar temas dessa magnitude de tal maneira, chamo a atenção para a tentativa de desconstrução da vida santa de uma pessoa em detrimento de uma sociedade nociva, onde vale mais o ter do que o ser.

MadreTeresa oficialFalo da ignorância para lembrar que Madre Teresa não é santa por que a Igreja a declarou. Sua santidade vem de berço e todo aquele que quiser “ser santo como vosso Pai é santo” (Pedro 1-16) deve seguir os passos de Jesus Cristo e identificar-se com Ele.

O papel da Igreja é apenas reconhecer publicamente os méritos daquele irmão ou irmã concedendo-lhe a “gloria dos altares”.

O Catecismo da Igreja Católica (1474) deixa claro que “o cristão que procura purificar-se do pecado e santificar-se com o auxílio da graça de Deus não está só. A vida de cada um dos filhos de Deus se acha unida, por um admirável laço, em Cristo e por Cristo, com a vida de todos os cristãos”.

A jovem Gonxha Agnes Bojaxhiu deixou sua terra natal (Skopje, Albânia, um dos países mais pobres da Europa) em 1928 e partiu para a Irlanda para ingressar no Instituto da Bem-Aventurada Virgem Maria, as Irmãs de Loreto. Ao ingressar na congregação, seguindo as tradições da Igreja Católica, adotou o nome de Irmã Teresa em razão de sua padroeira pessoal: Santa Teresa de Lisieux, carmelita francesa também conhecida como Santa Teresinha.

A jovem freira chegou a Calcutá em 06 de janeiro de 1929. Foi enviada a Darjeeling para continuar sua formação. Fez a primeira profissão de votos em 25 de maio de 1931, prometendo viver uma vida de pobreza, de castidade e obediência e dedicar-se particularmente à instrução da juventude. Após a sua profissão de votos foi nomeada também Professora da St. Marys Bengali Medium, uma escola para meninas, onde permaneceu até 1948, ano em que deixou Loreto para as Missionárias da Caridade.

Depois de muita luta e dedicação, em 07 de outubro de 1950, a Santa Sé autorizou a instituição da Congregação das Missionárias da Caridade.

Madre Teresa viveu uma vida exclusivamente para os pobres dos pobres. Ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1979. Sua congregação espalhou-se por todo o mundo, inclusive em Salvador – Bahia, comunidade dos Alagados, onde esteve com a Irmã Dulce dos Pobres.

Faleceu em 1997 e seu processo de canonização foi iniciado logo após a sua morte. Foi beatificada em 2003 pelo Papa João Paulo II. Sua canonização ocorreu em 04 de setembro de 2016, pelo Papa Francisco.

Certa vez, um argentário banqueiro, em visita à casa onde cuidava dos enfermos, observando a dedicação, o cuidado e o seu carinho para com os pobres e doentes, aproximou-se dela e disse: “irmã, eu não faria isso por dinheiro nenhum do mundo”. Ela riu e lhe respondeu bem baixinho: “nem eu, meu filho”.

Viva a Madre Teresa

A Santa de Calcutá.

(Por Gilbenício Brandão – Colunista do Tribuna do Recôncavo. Dados coletados do Livro: MADRE TERESA, venha seja minha luz. (Padre Canadense: Brian Kolodiejchuk, Gráfica Ediouro – 2008)

COMENTÁRIOS:

Maria do Carmo da Silva Santos: Infelizmente, a sociedade não reconhece, não valoriza e nem tem como exemplo aqueles que dedicam sua vida em prol dos mais carentes e necessitados. E confirmam esse descaso com a expressão: “virou santa”, como se tratasse de uma metamorfose.