Na última quinta-feira (30/03), aconteceu a 1ª Exposição Heroínas Negras do Brasil na Praça Padre Mateus em Santo Antônio de Jesus, realizada pelos alunos do curso de Letras, Língua Portuguesa e Literaturas da Universidade do Estado da Bahia – Campus V (UNEB). O objetivo da exposição foi que as pessoas conhecessem histórias de mulheres negras que realizaram feitos heroicos, mas que são silenciadas pela História oficial. O portal Tribuna do Recôncavo prestigiou o evento e conversou com algumas das organizadoras.

Uma das entrevistas foi Jaciane Santana, aluna do VI semestre do curso que contou como surgiu a ideia da exposição e como foi a preparação. De acordo com ela, a ideia surgiu no componente Literatura e relações étnicos raciais, ministrado pela professora Suely Santana. “A princípio tínhamos a ideia da exposição ficar apenas na UNEB, mas achamos que seria mais viável que essa exposição saísse dos muros da Universidade e viesse para a comunidade, para que as pessoas prestigiassem.”

Outra aluna entrevistada foi Isadora Silva, aluna do II semestre do mesmo curso. Segundo ela, a exposição foi desenvolvida a partir dos cordéis de Jarid Arraes, uma escritora negra, cearense e feminista que produz cordéis que desconstroem estereótipos. “Nós produzimos banners com imagens e biografia dessas mulheres para que se conheça não só o perfil físico, mas também o perfil histórico.” Além disso, ela falou sobre a participação da comunidade. “As pessoas foram chegando e nós íamos apresentando. Alguns alunos das escolas também participaram”, contou.

Isadora Silva falou ainda que as mulheres conquistaram muito espaço, mas ainda há muito para se lutar e muito pra se mostrar porque a mídia não expõe a mulher negra e quando expõe é de modo estereotipado. “Isso precisa ser mudado e se muda quando a gente começa a expor essas mulheres para que outras se reconheçam e comecem lutar para conseguir um espaço diferente.”

A estudante, Joélia Santos, do VIII semestre do curso de Letras Vernáculas, que está preparando seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre Luís Gama, falou um pouco do seu trabalho. Ela pesquisa a produção literária desse autor que foi abolicionista e escravizado pelo próprio pai. “Infelizmente é desconhecido pela maioria da população brasileira e meu trabalho vem justamente resgatar a produção literária desse autor para que pessoas negras como eu, que não teve a oportunidade de conhecer pessoas negras em destaque, possam estar conhecendo, “declarou.

O portal também ouviu Terezinha Santana, aluna do curso de História da UNEB e integrante do Coletivo Luiza Barros, a qual informou que o projeto visa “resgatar essas mulheres que lutaram no passado e que foram silenciadas pela História e pelo sistema racista e opressor em que vivemos. Então, “a ideia da exposição é para a população conhecer um pouco mais as histórias dessas mulheres que lutaram e que lutam para nós mulheres negras termos visibilidade e termos o nosso espaço”. (Maíra Oliveira/Tribuna do Recôncavo)